Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) de ingredientes aquícolas

Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) de ingredientes aquícolas

Catarina Raquel Basto Correia Silva 

Masters in Aquaculture and Fisheries
Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Portugal

A aquacultura recentemente surge como uma alternativa à obtenção de pescado através da captura marinha que segundo a FAO regista atualmente níveis pouco sustentáveis. No entanto, o crescimento da indústria aquícola levanta algumas preocupações ambientais face a sua dependência da exploração de recursos marinhos usados nas dietas aquícolas. Correntemente, a formulação da maioria dos alimentos compostos para peixes depende ainda de farinha e óleos de peixe. No entanto, alguns estudos recentes focam a possibilidade de substituição destes recursos animais marinhos, por fontes vegetais, promovendo a sustentabilidade da aquacultura e a preservação de recursos marinhos. Muitos estudos mostram a viabilidade desta substituição, quer biologicamente, quer fisiologicamente, para várias espécies de peixe. No entanto, os impactes ambientais associados a estes novos ingredientes são ainda, na maioria dos casos desconhecidos. Este estudo faz uma abordagem neste sentido, de modo a promover uma primeira avaliação comparativa entre os vários ingredientes de origem animal e vegetal. A metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) adotada, é descrita pela norma NP EN ISO 14040 de 2008, e realiza um estudo comparativo, na medida do possível, focando o desempenho ambiental de alguns ingredientes com interesse para a incorporação em alimentos compostos para peixes. Os ingredientes em estudo são: farinha e óleo de subprodutos de peixe (Savinor S.A.), farinha e gordura de subprodutos de aves (Savinor S.A.), farinha e óleo de peixe do Perú, e farinha e óleo de soja, proveniente do Brasil. Este trabalho foi realizado tendo como base o projeto PP-IJUP2012-SOJA DE PORTUGAL- 8, com o apoio da Soja de Portugal, que forneceu dados relevantes sobre o inventário de materiais, energia e água usados na produção de alguns dos ingredientes estudados. Na avaliação dos impactes ambientais, dos ingredientes selecionados, considerou-se desde a produção ou captura da matéria-prima até ao seu processamento e transporte até Portugal, onde deverão ser processados e transformados em pellets de ingredientes compostos para peixes. A metodologia usada na avaliação foi o método CML 2001 e foram tidas em consideração treze categorias de impacte ambiental. Os resultados permitiram concluir que os ingredientes: farinha e a gordura de subprodutos de aves são aqueles ingredientes, proteicos e lipídicos, que apresentam maiores impactes ambientais associados. A produção de frango é a fase do ciclo de vida que mais contribui para todas as categorias de impacte selecionadas. Por outro lado, a farinha e óleo de peixe do Perú e a farinha e óleo de soja foram os ingredientes que apresentaram menores impactes associados. Na farinha e óleo de peixe do Perú, a fase do transporte, incluindo o transporte rodoviário de Lima (Perú) até Caracas (Venezuela) foi a que mais contribui para o impacte ambiental. A farinha e óleo de subprodutos de peixe quando comparados com a farinha e óleo de peixe do Perú, demonstraram piores desempenhos ambientais, para as mesmas categorias de impacte. Na farinha e óleo de subprodutos de peixe, a etapa do ciclo de vida com maior peso ambiental, em todas as categorias de impacte, foi a de captura do peixe. Este estudo permite um conhecimento único e individual do impacte ambiental associado aos ingredientes selecionados, e comumente utilizados pela indústria de alimentos compostos, permitindo a consciencialização pelo ambiente, e consequentemente a escolha de ingredientes mais sustentáveis.

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